É com muito gáudio que apresentamos este Volume 3 Número 1 da nossa revista sob o mote das passagens, dos tempos, das resistências e dos quotidianos. E a vida e as artes são uma miríade de relacionamentos e de relatos que se perpetuam nos tempos e nos espaços. É dentro destes que as situações mundanas acontecem e se transformam em vivências, experiências, intenções e memórias. Neste Volume, são dadas a conhecer construções imaginárias que se circunscrevem a um tempo-ação do devir. Constitutivos da vida social, os ímpetos criativos redefinem sem roteiros, em sempre novas configurações, o que se atribui a tradições e amálgamas do passado (Ingold et al., 2018). Por outro lado, todos os atos e ações são, na sua essência, fragmentos temporais que podem ser entendidos como uma espécie de conceção fenomenológica da vida e que são, na verdade, essenciais para nós – enquanto cientistas sociais – compreendermos o mundo da vida (Mourão, 2016). Tal como Schutz (1979) nos refere, estamos, de forma sistemática, a dar significados simbólicos aos lugares da realidade: através da música, da fotografia, de peças de vestuário, do desenho, da pintura. Interessante é constatar que o mote de Schutz está ubíquo neste Volume demonstrando que as relações entre as experiências vividas e as ações que levam à realização das mesmas se desenvolvem em curvas por caminhos oblíquos.

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