Participação de Paula Guerra como entrevistada na peça de jornal do Notícias Magazine, intitulada “Regresse-se, uma derradeira vez, a Valete. Socióloga e professora universitária na Universidade do Porto, com trabalho regular na área da cultura musical, Paula Guerra começa por sublinhar que não está “a legitimar a canção e o vídeo” de “BFF”, rematando: “Há uma desculpabilização do homem enganado bem maior do que da mulher enganada”. Além disso, “será que o que se vê no vídeo era considerado violência doméstica há 20 anos?”. Tendo em conta o trabalho que vem realizando à volta do punk em Portugal, a docente conclui que a situação no hip-hop “não é melhor nem pior.

Como qualquer outro produto artístico transpõe questões da sociedade. E sendo a música violenta uma expressão da própria sociedade, o melhor é percebê-la enquanto tal. O punk e o rock alternativo também têm um problema com as questões de género”. Dá como exemplo o “papel das mulheres nos vídeos – muitas vezes servem de acompanhantes, não têm qualquer função de relevo”. Na sua opinião, isto advém do modo “como estamos organizados na sociedade”. E os artistas até podem comportar-se dessa forma “mesmo sem consciência. Tem a ver com a educação, com os processos de socialização”. 

Disponível aqui:

https://www.noticiasmagazine.pt/2019/a-cantiga-e-uma-arma-no-hip-hop-pode-ser-uma-cacadeira/historias/242134/